Eu sempre acreditei fielmente, que Julieta era uma egoísta. Se o amor é a constatação de que alguém precisa mais de você do que você mesmo, ou que você precisa mais daquela pessoa do que de si mesmo e a disposição de entregar sua vida por ela, então eu estava correta. Julieta era sim, uma egoísta. Já que foi assim o suficiente para correr o risco de que tudo desse errado, como deu, e assim o suficiente para não se importar, nem sequer por um momento, com o tamanho do sofrimento que sua família iria passar. Afinal, se ela realmente amasse Romeu, ou alguém de sua família, teria se casado com Páris. Teria preferido passar o resto de seus dias com alguém que não ama, a ver, por um dia sequer, a face pálida de Romeu.
Bom, era exatamente assim que eu pensava algumas semanas atrás. Mas... o que mudou então? Nos últimos dias, fiquei com uma vontade ENORME de reler um antigo diário meu. Dei boas risadas, chorei, e me lembrei de sentir coisas que, ultimamente, haviam ficado adormecidas dentro de mim. O que, de tudo, mais me chamou a atenção, foi justamente a facilidade com que eu me apego e me apaixono pelas coisas. Devo dizer que, alguns anos depois de ter escrito esse diário, descobri que essa facilidade, se deve ao meu temperamento. Uma combinação de Melancólica e Sanguínea, que me leva a sentir TUDO, com uma imensa profundidade e intensidade. Inclusive, aconselho que tente pesquisar sobre esse assunto, aprendi "PAKAS" e agora "manjo" muito disso... é INCRIVELMENTE FANTÁSTICO! Mas voltando... a parte que, sobretudo, me saltou aos olhos foi:
"A Mamãe disse que é para eu manerar com esses exageros. Nossa! É triste você gostar de uma coisa e de uma hora para a outra ficar maluca por aquilo, aí seus pais te proíbem de ver, ouvir, pensar e tudo mais sobre aquilo, aí você fica perdida e acha que a vida não tem mais sentido. Aí começa a procurar algo para achar legal e fica maluca, e aí continua o ciclo. De fora parece que é bobeira, mas não é! Não parece que eu sou foçada por dentro a fazer isso, sabe? Isso dói, cansa, machuca por dentro." - dia 03/09/2013
É chocante, não? É... eu também fiquei assustada. Eu não me lembrava disso... sinceramente. Graças à Deus a Mamãe percebia que eu estava me excedendo e me ajudava a controlar minhas emoções. Grande parte da maturidade que eu tenho hoje é devida à constante atenção e disciplina aplicadas por ela. Entendo muito bem o fato dela e do meu Pai me proibirem de ver as coisas que eu estava ficando viciada. Eles me educaram e ensinaram da melhor forma que conseguiram, e sou muito grata a eles. Agora, que entendendo minhas tendências, é bem mais rápido perceber quando estou novamente passando por isso.
Sabe, depois de ler o que aconteceu no meu passado nem tão recente, não só nesse pequeno trecho mas em toda narrativa, me senti uma idiota. Como pude fazer tanta besteira na minha vida? Mas é como a minha mãe sempre diz: "Isabelle, você não era idiota, só era inexperiente". Foi aí que me lembrei da pobre Julieta. Será mesmo que ela era egoísta, ou apenas inexperiente? Na história original, ela tem apenas 13 anos! Apenas alguns meses a mais do que eu quando escrevi nesse diário!
E agora? Então eu também seria taxada por mim mesma de egoísta? Fala sério! Foi exatamente por me deparar com esse dilema que vim falar com você hoje. Será que você era mesmo egoísta e idiota alguns anos atrás, ou apenas inexperiente, assim como eu? Na visão limitada dos meus 16 anos de vida, confesso que ainda sou extremamente inexperiente, e que não sei de absolutamente nada da vida. Então, se você é como eu, e também tinha uma certa raiva de Julieta por toda sua inconsequência, peço: tenha misericórdia dela, e de você mesmo também. Somos todos inexperientes buscando um caminho para casa. Não se culpe se errou uma vez ou outra, apenas seja grato pelo fato de que você ainda tem oportunidade de consertar as coisas daqui para frente e ser a sua melhor versão todos os dias, assim como eu estou tentando fazer também.







